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PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 04/02/2026. Neste terceiro volume da coleção César Aira, uma nova leva de novelitas inéditas no Brasil dão a ver a criatividade inesgotável deste que é um dos mais importantes escritores da América Latina. Desde uma paródia que mistura conto de fada e relato bélico, passando por uma história contundente sobre violência de gênero, um conjunto de não ficções literárias sobre a vida e o tempo, até um romance pampeano mais recente e premiado, esta caixa reúne diferentes reflexões acerca dos modos de fazer literatura. Com as típicas reviravoltas inesperadas, Aira nos convida uma vez mais a observar sua constelação, mostrando que o nonsense não tem menos poder do que o realismo para tratar de questões geopolíticas, sociais e metafísicas. A princesa Primavera Numa pequena ilha na América Central, a Princesa Primavera vive tranquila com sua governanta. Para sustentar o castelo, ela trabalha arduamente como tradutora de livros populares, sendo exemplar no ofício. Um dia, porém, a ilha é ameaçada pela invasão do General Inverno e do comandante Pinheirinho de Natal. Tem-se início a guerra, e com ela uma aventura enlouquecida acompanhada de uma profusão de personagens igualmente delirantes. Para a mente criativa inesgotável de César Aira, parodiar o gênero tradicional dos contos de fadas seria simples. Assim, nesta novelita , ele também subverte a fábula e o relato bélico, aproveitando para refletir sobre os estigmas da qualidade literária, sempre surpreendendo quem a lê. Afinal, segundo Victor da Rosa no posfácio à edição, para Aira 'o que importa é a surpresa e a invenção literária, e isso certamente o leitor encontra em A Princesa Primavera '. Eu era uma mulher casada Sob influência do título, pode-se pensar que esta novelita trata apenas da vida matrimonial. De fato, a protagonista conta o martírio de estar casada com um homem maldoso, violento, desempregado, adicto de drogas, isto é, um verdadeiro fardo que vive lhe pregando peças. O horror e o absurdo do cotidiano dessa trabalhadora residem não só nas privações, mas na sua mente e no seu corpo, que aos poucos vão padecendo. No entanto, ao nos embrenharmos nas voltas narrativas de César Aira, que remontam às geometrias labirínticas de Borges, como afirma Ana Paula Pacheco em posfácio à edição, chegamos ao imprevisível: o relato passa a tanger reflexões estéticas sobre representação, alegoria, metáforas, recursos 'contra o excesso de realismo' e culmina no surgimento inesperado de um palhaço, levando-nos mais uma vez ao início: o engodo patriarcal sofrido por uma mulher casada. Artforum Leitor ávido da Artforum , revista estadunidense fundada nos anos 1960 para tratar de arte moderna e contemporânea, César Aira dedica esta espirituosa coletânea de textos à sua obsessão pelo periódico. Espécies de ensaios ficcionais, os relatos são sempre disparados por um episódio peculiar relacionado à Artforum .