Receba o produto que está esperando ou devolvemos o dinheiro.
Depois de discutir raça e gênero em inúmeros livros, bell hooks se dedica, nestas páginas, às questões classe, concluindo assim sua extensa análise sobre os sistemas integrados de opressão. E, como de costume, o faz de maneira extremamente acessível, em textos repletos de experiências pessoais e situações corriqueiras que perpassam a vida de todo mundo.
Ao relatar o caminho que trilhou para sair da pobreza numa pequena localidade do interior e alcançar o conforto material na cidade grande, a autora deixa explícito que ?classe? não se refere apenas a dinheiro e não pode ser dissociada das origens socioeconômicas das pessoas, em uma relação complexa e contraditória com o racismo e o machismo. Com sua crítica ferrenha e amorosa, bell hooks busca fomentar a consciência sobre o lugar que cada um de nós ocupa na sociedade e o que fazemos ou deixamos de fazer para construir um mundo mais justo para toda a coletividade.
Bell Hooks afirma que uma das prioridades das ações políticas de pessoas negras é confrontar e desafiar o conservadorismo. Para isso, devem criar uma visão de solidariedade que inclua a luta antirracista e seja capaz de enfrentar a dominação. Um movimento por justiça social mais amplo seria bem-vindo, diz ela, onde direitos civis poderiam unir diferentes grupos que não trabalharam juntos antes (brancos e negros; mulheres e homens; abastados e pobres) em esforço comum por um mundo democrático e justo. [...]
Ela escreve que as marcas de uma socialização capitalista de consumo - que nos ensina a gastar muito e valorizar pouco, a obter o máximo que pudermos e dar o mínimo possível - são uma fraude que, para ser transformada, exige mudar a forma como se pensa classe, porque classe é muito mais do que dinheiro.
Assim, este livro, em ressonância com questões atuais da realidade brasileira e estadunidense, oferece uma leitura que nos desloca: ao tratar de classe como experiência vivida, também nos convoca a repensar solidariedade, justiça social e os lugares que ocupamos. bell hooks nos mostra que somos, todes, ondas de um mesmo oceano - Cida Bento, no prefácio à edição brasileira.
Hoje em dia está na moda falar sobre raça ou gênero. Classe é o assunto que ficou de fora da conversa; é o assunto que nos provoca tensão, nervosismo e dúvida em relação ao lugar que ocupamos. Em menos de vinte anos, nosso país se tornou um lugar onde as pessoas ricas de fato governam. Houve uma época em que a riqueza proporcionava prestígio e poder, mas não determinava sozinha os valores da nossa nação. [...]
Como sociedade, temos medo de dialogar sobre classe, muito embora a desigualdade cada vez maior entre a riqueza e a pobreza já tenha estabelecido o cenário para a constante e prolongada luta de classes. Como uma cidadã que mudou da classe trabalhadora para o mundo da abundância, eu sofri por muito tempo para compreender a classe em minha vida, para aceitar o que significa ter tanto enquanto muitas pessoas têm tão pouco.