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Quando dizemos ajeum, em iorubá, ou mi'u, no idioma sateré-mawé, não estamos apenas falando de comida, estamos demarcando territórios de conhecimento a partir de nossas línguas, e isso é um gesto de contracolonização.
Por meio dessas palavras, o alimento não se restringe ao prato, envolve território, corpo e espírito, é encontro, partilha, cuidado e ancestralidade. Assim afirmamos nossa maneira de existir, sentir e alimentar, recusando a lógica que busca nos limitar e insistindo que a comida é, antes de tudo, vida em movimento.
[...] No âmbito dos sistemas alimentares, nos orientamos pelos ensinamentos das nossas mestras e nossos mestres, e tomamos a roça e o terreiro como experiências concretas capazes de demonstrar modos de produzir e compartilhar processos alimentares ancestrais.
Escolhemos a roça e o terreiro - e não os sistemas agroflorestais, por exemplo - porque no encontro com os nossos e as nossas não seria necessário apresentar-lhes uma definição ou tecer explicações conceituais a respeito de espaços que já fazem parte do seu cotidiano.
Roça e terreiro, em nossas comunidades, são lugares de produção de alimento e cuidado, de encontros para a partilha da vida, de conexões com a espiritualidade e de articulações para as lutas.
São tecnologias ancestrais que se situam em processos históricos e dinâmicos no tempo - não são técnicas atrasadas, retrógradas, como alguns insistem em rotular.
- Inara Nascimento & Rute Costa
CARACTERÍSTICAS
Formato
BROCHURA
Número de Páginas
170
Subtítulo
CONFLUENCIAS NEGRAS E INDIGENAS EM TORNO DA ALIMENTACAO NO BRASIL