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PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 10/03/2026. Nono livro de poemas de um dos mais consagrados poetas, contistas e tradutores brasileiros em atividade, este volume traz Paulo Henriques Britto em sua melhor forma. Avesso ao sentimentalismo, aos arroubos, à autocomiseração, o autor criou uma poética extraordinária, com linguagem afiada e irônica, equilibrada entre o ceticismo e a descrença. Embora os poemas de Paulo Henriques Britto sugiram resignação e pessimismo, uma segunda leitura pode revelar o sentido oposto. A própria insistência em escrever - em tentar encaixar o mundo na forma fixa do verso - opera como um 'impulso visceral, orgânico, - que mantém o cérebro ativo - e combate ataques de pânico'. Como ele demonstra na série 'Intransitivas', a função terapêutica da poesia não pode ser descartada: 'É palavra em lugar de droga, - espécie incorpórea de ioga'. Não se trata, é claro, de imaginar que o poema possa oferecer soluções para os problemas do mundo ou dar fim às nossas angústias individuais. Longe disso. Mas o humor mal-humorado e desesperançoso do poeta atesta que 'o poema cria uma existência - não real, mas não de todo improvável, - uma presença falsa que compensa'. É nessa ausência, ou falsa presença, que a poesia mostra ser capaz de oferecer 'o gosto, o som, a cor'e, assim, curiosamente, cumprir 'o que promete'.