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PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 01/09/2026. Vamos, atenda o telefone, é urgente, quero cantar pra você - na poesia de Moisés Alves, em Ilusões bárbaras, há sempre uma conversa acontecendo ou tentando acontecer. Há um você e um eu. Por vezes, temos a impressão de que quem fala eu é o próprio poema, que lança suas palavras em direção ao poeta. Noutras, é ele quem diz eu e nos coloca, leitores, no lugar desse você, que recebe as setas afiadas nas horas mais comuns: A vida é uma guerra. Espalhada por todo canto, inclusive nas casas. O que essas conversas nos mostram são relações intensas, truncadas pela incompreensão, pelos silêncios (nunca ouvimos, do outro lado, a voz do você), pela violência. Há o forte desejo de escapar dessa espiral, mas os caminhos não são simples: sei bem do que viver é capaz. Há fúria movendo-se por dentro, mas, de repente, tudo se enrosca ao temor de que já seja tarde demais para que as coisas mudem de rumo: uma mágoa não se arrasta tão facilmente de um canto a outro sem ferir o chão da casa. O pai, a mãe, os deuses, os amantes são convidados a entrar nos poemas, mas é sempre ríspida a recepção: O amor é um cão em cólera. Talvez venham daí, desse atrito de que elas nunca fogem, a densidade e a força dessas palavras colhidas na vida, que têm cor, ritmo, hálito, sabor, como afirma Jorge Alencar na orelha do livro.