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PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 06/11/2026. A relação entre as tendências críticas da literatura infantojuvenil e a formação de leitores antirracistas é profunda e estruturante, conforme detalhado em Leituras em Vertigem: Antirracismo e Literatura Infantil, de Cristiane Tavares. Essas tendências não apenas influenciam o conteúdo das obras, mas também propõem práticas de leitura e análise que promovem o pensamento crítico e a transformação social. O livro defende que as tendências críticas atuais em literatura infantojuvenil são fundamentais para formar leitores antirracistas, pois promovem práticas de leitura que valorizam a diversidade, questionam estruturas de poder e incentivam a invenção de novos imaginários sociais. O conceito de 'devir-canto', derivado da ideia da 'vertigem do devir'de Frantz Fanon, propõe uma poética que valoriza a coexistência de alteridades, a multiplicidade de vozes e a experimentação formal. Ademais, Cristiane Tavares propõe indicadores que orientam uma análise crítica dessa literatura: o comunal (relações inter-raciais singulares, intersecção de linguagens e subversão espaço-temporal), o diaspórico (reinvenção de espaços, deslocamento de tradições e hibridização cultural) e o insurgente (subversão de padrões hegemônicos, enfrentamento da violência da racialização e ruptura de hierarquias). A autora destaca que a literatura infantojuvenil compartilha os mesmos desafios e potencialidades da literatura dita 'adulta', mas tende a abordar de forma mais direta as tensões sociais, a fluidez das identidades e a complexidade das relações raciais, dialogando com temas da literatura nacional e com a formação crítica do leitor jovem. É necessário evitar a redução da literatura a instrumento pedagógico ou de representatividade superficial, defendendo a autonomia estética e a abertura para múltiplos sentidos. A literatura infantojuvenil contemporânea no Brasil tem sido marcada pela incorporação de temas étnico-raciais, impulsionada por legislações como a Lei 10.639/03 e pelo ativismo de movimentos negros. Obras e críticas buscam desconstruir o mito da democracia racial e enfrentar o 'pacto narcísico da branquitude'. A crítica literária antirracista propõe leituras que vão além da representatividade, questionando estruturas de poder e dispositivos de racialidade. Obras como 'Afrofuturo: Ancestral do Amanhã', 'A Melhor Mãe do Mundo' e 'Diálogos Feministas Antirracistas (e Nada Fáceis) Com as Crianças' exemplificam como a literatura pode abordar o antirracismo de forma afetiva, lúdica e crítica, promovendo protagonismo negro e discussões abertas sobre racismo e diversidade.