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PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 03/11/2026. Quais perguntas ainda carregaremos quando sentirmos estar no limite extremo da vida - o que ainda insistiremos em compreender? Em direção a quem lançaremos nossas últimas e desesperadas palavras? Ainda teremos motivos para chorar, praguejar, protestar? Ou para rir? Essas são algumas das perguntas despertadas por Ridículo, de Matheus Gato, para além das tantas indagações implícitas e explícitas em seus versos. 'Ridículo', em sua origem latina, é aquilo que provoca o riso, mas os poetas sempre dão um jeito de arrastar de volta para as palavras os sentidos que tentam escapar. Também é ridículo o insignificante (a nossa insignificância?) e o sem-sentido, o erguer de uma voz inquieta em direção a um Senhor que pode ter todas as respostas e nenhuma: 'das feridas de teus pés caiu uma gota negra que inundou o mundo'. É ridículo constatar que 'lamentar o absurdo - jamais é uma resposta'. Tudo e nada: ridículo. As diversas partes do poema estão escritas à sombra de duas frases simples ('O livro está na mesa. - ao longe, se escuta o ruído de um relógio quebrado'), mas muito significativas para a amarração tensa do conjunto. Ou melhor: o poema se inscreve nos espaços dessa frase, entre suas imagens claras, porque o poeta fragmenta-as em títulos, que funcionam como entradas para cada parte de Ridículo, até que os olhos se voltem apenas para aquelas frases, para aquele livro, e não faça mais sentido - seja ridículo - procurar a porta dos eleitos, quebrar os dedos ao partir o pão, querer ver a fonte.