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PREVISÃO DE LANÇAMENTO: 09/10/2026. Na rotina da medicina de alta complexidade, vivemos sob o império da afoiteza. Entre a urgência de um transplante e o rigor de um protocolo oncológico, corremos o risco de nos tornarmos especialistas apenas em patologias, deixando de ser peritos em pessoas.'
'Envelhecer é aproximar-se, passo a passo, do desfecho mais previsível da existência. Ainda assim, insistimos em olhar para o fim com o espanto de quem testemunha um milagre às avessas. Nunca estamos prontos para a única certeza que carregamos.'
'A verdade é que ninguém nos ensina a conduzir o fim. Não entendemos que as prioridades de quem está partindo mudam, queremos alimentar quem já não tem fome, queremos que fale quem só precisa descansar.'
'O cuidar do outro sempre será um exercício de compaixão, e o menosprezo a esta exigência certamente tem contribuído para empobrecer a relação entre o médico e a sua comunidade [...]'
'A única urgência real, dada a brevidade da jornada, é impedir que a vida seja em vão.'
Trechos do livro Se você desistir, nunca saberá
Há uma crença, bastante difundida, de que médicos, enfermeiros, auxiliares e demais profissionais que trabalham com pessoas muito doentes precisam se blindar contra o sofrimento diante da morte. Essa blindagem envolveria tratar os pacientes de forma estritamente profissional (leia-se: técnica) com a finalidade de preservar a própria sanidade e, assim, levar adiante a assistência à saúde.
Esse mito, porém, é contestado por pessoas respeitadas na área, e uma delas é o dr. J.J. Camargo, médico-cirurgião pioneiro em transplante de pulmão no Brasil e na América Latina, e uma das maiores autoridades da medicina de alta complexidade no país.
Em seus mais de cinquenta anos de prática e magistério médico tratando pacientes em situações críticas e, ao mesmo tempo, inovando e capitaneando avanços que moveram a fronteira da excelência médica, o dr. Camargo compreendeu a necessidade de se reafirmar que a medicina e a ciência estão a serviço das pessoas, e não o contrário. E ele se dedica a compartilhar essa e outras reflexões não apenas em textos acadêmicos, mas também em crônicas. Como ele próprio diz, a crônica é um 'consultório sem paredes', que pode estender o acompanhamento médico para além do fim do tratamento.
É esse manancial de conhecimento e sabedoria que este médico humanista divide conosco, seus afortunados leitores. Em tempos acelerados, de inteligência artificial, de etarismo, de consultas-relâmpago, de escassez de empatia e compaixão, de redes sociais que desumanizam e de remédios milagrosos que aumentam a expectativa de vida em número de anos - mas não necessariamente em qualidade - , os textos aqui compilados são um sopro de esperança. Nas palavras do autor, a medicina de verdade é a arte de fazer ciência com doçura, generosidade e entrega.
Os Editores